- NUPID

- 21 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Texto: Samuel Augusto Diniz Silva
O #NUPIDIndica dessa semana traz o último vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: Druk. O filme conta com a direção de Thomas Vinterberg, que também ganhou o Oscar de Melhor Direção.

A trama se passa na Dinamarca e envolve quatro amigos e professores que se propõem a uma auto experimentação com a ingestão diária de álcool, que segundo uma “teoria”, deixaria suas vidas mais “musicais, preparadas e abertas”. As histórias dos personagens vão se entrelaçando com seus diferentes usos - tal qual nossa vida se entrelaça com nossos usos - e consequências, positivas e negativas, nos são apresentadas, propondo também diferentes reflexões acerca da relação dos sujeitos com seus usos.
Uma dessas reflexões nos remete ao termo grego “pharmakon” a dualidade que ele representa, significando tanto remédio quanto veneno à depender da maneira como a substância será utilizada. Daí que qualquer droga não é em si mesma prejudicial ou benéfica, os seus prejuízos e benefícios vão depender de qual é a relação dos sujeitos - e sociedades - com as substâncias.
Outra discussão interessante que pode ser feita a partir do filme é sobre a regulamentação da substância utilizada pelos personagens, o álcool. Por ser uma droga legalizada e regulamentada, o acesso e a possibilidade de medição da quantidade ingerida se torna simples. Além disso, a censura moral do uso, durante uma parte da obra, é rechaçada em diversos momentos, principalmente quando os professores recorrem a figuras históricas que consumiram álcool e tiveram grande relevância em seus respectivos campos potencializando os efeitos positivos e diminuindo os riscos associados, evitando incorrer num uso abusivo e com graves prejuízos no campo individual e social.
Pois como o filme nos diz estamos vivos, e vivos sentimos, erramos, escolhemos, e usamos drogas.

